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Compras que Não Preenchem

As compras que não preenchem

Quantas vezes já entrei numa loja sem precisar de nada, mas saí sempre com alguma coisa? Quantas vezes comprei uma peça de roupa, um batom, um creme… só para sentir aquela descarga momentânea de prazer?

É quase mágico: no instante da compra, o coração acelera, a mente acredita que algo vai mudar. Por uns minutos, parece que aquela bolsa ou aquele vestido são a resposta para um vazio que nem sei nomear. Muitas vezes acontece-me o mesmo quando arranjo o cabelo no salão.

Mas a magia dura pouco. Chego a casa e, de repente, o silêncio volta. E percebo que o problema continua ali, intacto.

A verdade é que muitas vezes não compro coisas — compro ilusões. Ilusões de pertencimento, de beleza, de aceitação. Acredito que aquela marca ou aquele objeto vão fazer de mim alguém mais confiante, mais amada, mais “suficiente”.

Só que não há cartão de crédito que compre autoestima. Não há embrulho de seda que cure a solidão.

As compras aliviam a dor por minutos, mas não a resolvem. E a cada repetição, o vazio parece crescer.

O que aprendi (ainda que um pouco tarde) é que a solução não está naquilo que coloco no carrinho, mas naquilo que coloco dentro de mim. O cuidado verdadeiro não se compra: constrói-se. Entre ecos e silêncio, com paz, paciência e escolhas conscientes. Tratando-me com carinho pelo que sou, e não pelo que mostro.

Porque, no fim, o que realmente precisamos nunca vem com etiqueta.

Com carinho

Carina

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