entreecosesilencio.com

Amor Próprio

O amor próprio que chegou tarde

Queridas,

Demorei muitos anos a gostar de mim. Talvez demasiado tempo (e, nem sei ainda se me amo tanto quanto amei os meus filhos e companheiros).

Passei boa parte da vida a tentar ser aceite, a ser “suficiente”. Queria que me vissem como bonita, inteligente e capaz. E nessa busca, esqueci-me de perguntar se eu era feliz.

O espelho foi, durante muito tempo, o meu maior inimigo. Olhava-me e só encontrava defeitos: a pele, o corpo, os gestos. Nunca era suficiente. Sempre a recriminar-me. E quanto mais me comparava, mais distante ficava de mim mesma.

O amor próprio não chegou na adolescência. Nem nos vinte. Nem nos trinta ou nos quarenta. Chegou devagar, como quem tem medo de entrar. Chegou depois das quedas, das perdas, das culpas e das noites de choro em silêncio. Ou talvez não tenha chegado tarde. Talvez tenha chegado exatamente quando tinha que chegar: quando finalmente estava pronta para recebê-lo.

Gostar de mim não significa achar-me perfeita — porque jamais o serei. Significa reconhecer que sou inteira, mesmo com as minhas falhas. Significa rir das rugas que antes me envergonhavam, cuidar do corpo sem lhe cobrar a juventude que já passou, escolher com quem partilho a minha energia. O amor próprio, quando chega, muda tudo. Não porque elimine as dores, porque elas continuam lá, mas porque me dá a coragem para ultrapassá-las.

E se demorei tanto tempo a encontrá-lo, hoje só me resta agradecer. Porque aprendi entre ecos e silêncio, que amar-me é a única forma de não depender do amor dos outros para ser feliz.

Desejo de coração que tu tenhas econtrado o teu amor próprio porque sem ele, a vida fica tão mais difícil…

Com carinho

Carina

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Translate »