Dizem-nos que o maior elogio é ouvir: “Não aparentas a tua idade!”. Mas… desde quando parecer ter vivido virou um defeito? Desde quando as rugas se tornaram uma ameaça?
A indústria percebeu cedo a nossa fragilidade. Criou frascos, texturas, nomes complicados. Creme para os olhos, óleo para o pescoço, sérum para rugas que quase não se veem. Não interessa se funciona, interessa que prometa. E nós compramos. Compramos esperança, pertencimento, uma ilusão de que vamos segurar o tempo nas mãos.
Hoje não são só anúncios de TV. São rostos sorridentes no Instagram, gente que começou verdadeira mas que, ao ganhar seguidores, passou a vender contratos em vez de experiências. É fácil acreditar. Afinal, queremos tanto acreditar.
Mas há algo que eles não vendem em frascos. Uma pele lisa, um filtro, pode enganar o espelho, mas não engana o coração. Uma mulher que chorou, riu, sofreu e conquistou carrega marcas que nenhum creme deveria apagar. E talvez o problema não seja a idade que temos, mas o olhar que nos ensinaram a ter sobre ela. Crescemos a acreditar que envelhecer é perder. Mas será que não é o contrário?
Liberdade é não precisar parecer jovem para viver intensamente. É não deixar que nos convençam a gastar fortunas só para sermos aceites. É perceber entre ecos e silêncio que o brilho que procuramos fora… já existe dentro de nós.
Com carinho
Carina
